Oito coisas que eu sinto saudade/ Gostava na Alemanha

Se existisse uma linha que separa diferenças culturais mundiais, os brasileiros estariam numa ponta e os alemães na outra. É claro que essa é uma visão minha espetacular (porque eu acho divertido aumentar as coisas para captar a atenção do ouvinte hehe). Mas tem pontos que a nossa sociedade br poderia usufruir aprendendo algumas coisinhas com os alemães, e que fariam tannnnta diferença na nossa vidinha…Tipo:

  1. Menu na porta

Você não precisa entrar, sentar e pedir pro garçom o cardápio. Ver que eles não servem suas preferências, e ter que passar por aquele carão de levantar e ir embora como se tivesse comido e não gostado. Na Alemanha os menus – completos – estão SEMPRE (mais uma espetacular) na porta.

  1. Encontrar os amigos de bike

Todo mundo que vai morar ou passar um tempo na Europa fala disso: como é legal as cidades para bikes e toda essa cultura, que lá é plano etc, etc. Mas eu já ando de bike em SP. No entanto, essa é uma cena muito difícil de acontecer. E quando acontece, me sinto pertencente a uma espécie de gangue juvenil. Na esquina todo mundo pára, uns tão vindo pela contramão (não pode hein?) uns tão descendo a sarjeta, um tá vindo empinando (na minha cabeça é assim) se reúne, e nos perguntamos, onde vamos agora? Adoro essa sensação, uma ilusão que somos contra o sistema por não depender de esperar o bus ou ficar que nem barata procurando vaga sozinho no carro. E não tem nada de transgressor no destino… mas é uma delícia chegar lá. E sinto isso em SP também. Mas é raro. Nunca (olha aí ela de novo) tem mais de um amigo de bike.

  1. Crianças na cidade

Eu via muitas crianças pela cidade (de Colônia) e isso é quase impossível aqui. Estranhei quando cheguei no Brasil. E não é só em São Paulo. E digo crianças, de várias idades, sozinhas, e em lugares públicos. Não vale shopping…

  1. Se sentir segurA

A verdade é que você fica vulnerável e insegura pra caramba numa cidade nova, e pior se você ainda estiver aprendendo o idioma… Outra coisa que todo mundo fala. Mas eu quero dar ênfase nisso: eu me sentia segura como mulher. Para ser mulher. Ninguém te olha capciosamente (com exceções muito pequenas de alguns árabes/descendentes/pode soar preconceituoso/aconteceu 2 vezes comigo, mas essa é uma discussão muito maior) e você pode ter a liberdade de sair de batom, de saia, super arrumada ou uma jeca. Ninguém vai te cobrar nada. Ninguém vai dizer: nossa que chique, tá rica, tá aceitando. Ou: você tá cansada? Nossa a fulana não tá se cuidando. Ela não tem medo de mexerem com ela com esse decote? Preguiça…

  1. Classe opressora/ serviçal e reprimido

Sou só eu que se incomoda com uma pessoa te servindo na praia, no restaurante, até em casa como se você fosse Deus? Na Alemanha a relação é mais equilibrada, tem brasileiro que até fala que alemão é grosso pra atender. Ou será que o nosso modelo de serviço que é um exagero? Detalhe a grande maioria das pessoas que trabalham com esses serviços citados serem afro descendentes num lugar com um histórico tão barbárie quanto nosso passado colonial? Não é detalhe, é racismo. A gente aqui ainda vive num sistema escravocrata, e tem muita gente que prefere assim porque é confortável não enfiar seu próprio guarda sol na areia, balizar o próprio carro, ou limpar a própria sujeira em casa. Não sei o que é “serto”, mas acho bizarro não parar pra pensar que tem muita coisa errada. Achar normal essa dinâmica serviçal que faz parte do nosso dia a dia, não é normal.

  1. Abordagem nas lojas

Os alemães são sinceros. Eles não vão dizer que você está linda se a calça te deixou gorda. Eles não vão te abordar o tempo todo e ficar tentando te empurrar alguma coisa que você não quer. Eles não vão se importar de te dar o endereço do concorrente, se eles souberem que lá tem o que você procura.

  1. Distâncias com a natureza

Essa é básica. Mas é isso mesmo. Pegar um trem, subir uma montanha, nadar num lago limpo, ver muito verde, tudo num dia só, de transporte público, por 10 reais. Sem trânsito, sem fila.

  1. Cinemas de bairro

O que me dói mais é saber que aqui em SP tinha um monte deles. E que hoje a maioria deu lugar a igrejas neo-pentecostais ou cinemas pornô. E que talvez, se tivesse mais cinema teria menos religião. Ou que sei lá, menos Rede Globo também (não custa sonhar). Diz minha mãe que foi por causa da abertura dos shopping centers. Esse câncer americano que a gente (eu secretamente) odeia gostar.

Ps. Eu juro que um dia eu vou fazer uma ao contrário: o que os alemães podem/deveriam usufruir da nossa cultura. Vai ser bacana, prometo. A gente é muito legal…

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Pra terminar, dois canais que eu sigo de brasileiras que moram em Colônia falando o que elas gostam na Alemanha: Viaje com a Cris e Memórias de uma paulistana estressada 😉

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